
«Este é o tempo do conhecimento» disse-me o meu colega agarrado ao computador.
Penso. A abolição de fronteiras que a electrónica trouxe levou a uma ampliação do espaço e a uma aceleração do tempo. A quantidade de informação de que dispomos à distância de um clique poucas vezes se torna operante na vida real. Cria mais ruído do que sossego. Acumulamos informação que não serve para nada. Como um «Borda d’Água» gigantesco. O tempo de reflexão critica que dantes tomávamos como necessário tornou-se apêndice nas nossas vidas. Dantes pensávamos, agora agimos. Buscamos sempre mais ocupações para os tempos livres, que deixaram de ser livres. A ideia de estar sem fazer nada assusta-nos. E os nossos filhos vão pelo mesmo caminho. O computador transformou-se num brinquedo de auto promoção. Os blogues tornaram-se prisões. Aos dispensarem intermediários estas ferramentas, tão intuitivas que parecem brincadeira de crianças, levam-nos a pensar que temos realmente alguma coisa de interessante para mostrar. Como fazem as crianças quando nos mostram um desenho como se fosse único. Pensamos que quanto mais fizermos, e mostrarmos, mais sustentável se torna a nossa existência. Nem sequer nos preocupamos com a presença de retorno. E muito menos com a sua qualidade. Transportamos esta voragem mediática para as nossas relações. Temos amigos temáticos: os do desenho, os do ginásio, os do trabalho. Tudo numa boa. Sem complicar, porque a complicação implica tempo. Isto já para não falar das relações sentimentais – ainda existe este termo? Os modelos tradicionais de partilha de sensações afectivas, que necessitavam de tempo, estão a ser substituídos por SMS. «Amo-te» escrito no ecrã é igual mas mais rápido do que ao vivo. Mas bom, argumentam os poucos que me leram até agora, de que te queixas afinal? Tu que tens um blogue. De tudo? Ou de nada? E quanto tempo, precioso, levaste para escrever isto? Vai mas é desenhar...
Pois, e amanhã provavelmente sai novo post.